quinta-feira, 30 de março de 2017

Arnaldo Jabor e seus mitos literários





"O autor máximo da minha vida, a coisa mais importante que aconteceu para mim em termos de literatura foi Eça de Queirós. Para mim foi a descoberta do pensamento. Com 12 anos de idade, comecei a ler Eça na casa do meu avô e isso abriu minha cabeça como uma luz. Ele escreve divinamente e ao mesmo tempo tem aquela descrença do mundo real, a crítica mordaz, a ironia, a sacanagem, o humor. Para mim Eça de Queirós é o pai total. Sou filho desse pensamento. Na literatura brasileira, outra luz que entrou na minha mente foi João Cabral de Melo Neto, que eu considero um dos maiores poetas. E Nelson Rodrigues, que também é um filho de Eça de Queirós. Mas também tem muita importância para mim a literatura americana: li muito Faulkner, Steinbeck, Eugene O' Neill, Tennese Williams, os beats. Essa coisa meio leve e rápida da escrita americana me influenciou um pouco, assim como alguns autores "menores", como Normam Mailer - que tem uma radicalidade perfurante, aquela mistura do psicológico com o econômico, da coisa social com a coisa psíquica - e Hunter Thompeson, um dos autores do New Journalism. 


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Citado em entrevista para a revista Cult de setembro de 1997
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