segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Histórias Íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil







Autora: Mary Del Priore.

Prefácio do livro.

Há diferentes maneiras de fazer história. O historiador pode listar exaustivamente nomes, datas, lugares; ou pode, sem esquecer o aspecto factual, buscar o lado humano dos acontecimentos. A este último grupo pertence Mary del Priore, que ocupa um lugar de extraordinário destaque na historiografia contemporânea, resultado, aliás, de uma brilhante trajetória.

Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil mostra a razão desse sucesso. Com a coragem e a firmeza que lhe são peculiares, Mary del Priore aborda um tema que durante muito tempo foi tabu em nosso país. E aborda-o de forma magistral. A erudição não impede, contudo, que seu texto seja agradável, fascinante; pelo contrário, Mary del Priore sabe como prender nossa atenção (... )

A autora aborda uma variedade de assuntos: a relação entre colonizadores, índios e escravos, a nudez e o pudor, os afrodisíacos, a repressão inquisitorial, a homossexualidade, a prostituição, o uso da lingerie, o teatro de revista, a educação sexual, o aborto, a folia carnavalesca, a pedofilia, a pílula anticoncepcional, a revolução sexual, a erotização da publicidade, o movimento feminista, a censura ditatorial, remetendo-nos a autores que vão de Gregório de Matos a Gilberto Freyre, a personagens famosos como d. Pedro I, a filmes, a revistas, a anúncios publicitários. 

Moacyr Scliar
Janeiro, 2011

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Este livro está na fila para ser lido. Aliás, minha fila de livros a serem lidos é imensa...

Frases que ficaram na história



O livro "A História do Brasil em 50 frases"(456 p) de Jaime Klintowitz, nos apresenta a tese de que a história é feita de fatos e também de frases. Deveras, muitas frases ditas por famosos ou não ficaram na histórica. Mas muitas dessas frases famosas foram inventadas ou lapidadas para cristalizar o significado de um acontecimento histórico. Por exemplo, a famosa frase "Independência ou morte" dita por Dom Pedro às margens do Ipiranga decretando a independência do Brasil de Portugal não foi assim tão heroica. Na verdade a frase foi "Pois verão quanto vale o rapazinho!". Era assim, com desdém, que ele era chamado pelos políticos portugueses que queriam reconduzir o Brasil à condição de colônia. As frases citadas são colocadas dentro do contexto histórico em que foi dita, nos apresentando assim a história do Brasil através de um diferente viéis. Vale a leitura. Ex de frases:

"Se algures na terra existe o paraíso terrestre, não pode ele estar longe daqui!" - Américo Vespúcio

"E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem" - Pero Vaz de Caminha

"O sertanejo é, antes de tudo, um forte" - Euclides da Cunha

"O melhor programa econômico de governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem." Barão de Mauá.

E por aí vai. Todas as frases no livro trazem uma análise do seu contexto histórico.


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Pra quem gosta de sebo, no site Estante Virtual é possível
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sábado, 29 de outubro de 2016

O Homem Assombrado e o Espírito da Pechincha





Em seu livro "O Ano da Leitura Mágica", a autora Nina Sankovitch cita o livro "O Homem Assombrado e o Espírito da Pechincha" de Charles Dickens:

"O homem na história de Dickens é assombrado por memórias da coisas erradas cometidas contra ele no passado e por sofrimentos pretéritos: ' Eu os vejo no fogo, agora. Eles me voltam na música, no vento e na imobilidade mórbida da noite, no passar dos anos '

Um fantasma, que parece ser o reflexo do homem assombrado, lhe propõe um acordo. Ele se oferece para livrá-lo das más lembranças, deixando o espaço em branco. O fantasma promete um vazio no lugar onde antes havia sombras do passado. " A memória é minha maldição; e, se eu pudesse esquecer minhas tristezas e erros, eu esqueceria!'. Assim o homem assombrado aceita a oferta. Lá se vão toda a capacidade do homem de expressar ternura, compaixão, compreensão e carinho. Nosso homem assombrado percebe, tarde demais, que ao se livrar de suas memórias, ele se tornou um homem vazio, triste e um disseminador da tristeza para todos que se aproximam. Como é natal e ele é um personagem dickensiano, o homem assombrado tem a chance de se regenerar no seu acordo com o fantasma e consegue suas memórias de volta, espalhando a alegria do natal. " 

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E então, você também acha que deveria apagar suas memórias, por mais duras, difíceis e chorosas que elas possam ser? 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Lolita: Inícios e Finais







Continuando na temática do livro Lolita, início e final do livro.



Início: Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua faz uma viagem de três passos pelo céu da boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. ta. (...)

Final: Penso em auroques e anjos, no segredo dos pigmentos duráveis, em proféticos sonetos, no refúgio da arte. E essa é a única imortalidade que tu e eu podemos compartilhar, minha Lolita.

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A foto acima é do filme Lolita de 1997, no entanto, o diretor Stanley Kubrick filmou uma primeira versão de Lolita em 1972. Uma ótima análise mais aprofundada dos dois filmes vocês podem ler aqui (Revista de História)

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Lolita




Estou terminando de ler o livro mais famoso do russo Vladimir Nabakov(1899 - 1977) que ainda na juventude saiu da Rússia em 1919 indo para a  Inglaterra na esteira dos acontecimentos que foi a revolução russa de 1917. Estudou literatura russa e francesa. Era um "nômade", passou por  Londres, Berlim, França, EUA, Suíça. 

Lolita(1955) foi seu grande sucesso literário, mas à época, não teve o reconhecimento devido já que foi publicado por uma editora especializada em livros pornográficos. Lolita não é pornográfico. É um drama em muitos aspectos. O eterno tabu do relacionamento de um homem adulto com uma pré-adolescente: um professor de meia idade, Humbert Humbert - por uma menina de 12 anos - Dolores Haze. Humbert é um pedófilo, sente atração por meninas pré-adolescentes o que parece ter sido desencadeado por uma desilusão amorosa de adolescente quando seu amor de infância morre tragicamente. 

O livro não é fácil. Achei certas partes cansativas, principalmente nas muitas páginas em que o autor em primeira pessoa (quem narra é Humbert de uma prisão) descreve suas viagens de carro junto com Dolores a quem chama de "Lolita". A linguagem porém não é crua nem chula, muito pelo contrário. Não se narra sexo de forma explícita. O livro não é uma defesa à pedofilia já que o fim do professor Humbert não é feliz. Muitas vezes o narrador revela suas crises de consciência por ter se deixado seduzir pelos encantos pré-adolescentes de Dolores. 

Bem, mas como eu disse na Apresentação, não quero me aprofundar discutindo intenções, valor literário, motivações do livro. VOCÊ PRECISA LER! O que escrevi, creio, já é o básico para aguçar sua curiosidade sobre o livro se ainda não o leu. Lolita voltará a aparecer por aqui em citações, Inícios e Finais ou por algum outro motivo.

Nabakov escreveu 10 romances em russo, 9 em inglês, além de contos, poesias e traduções. 










Nabakov

sábado, 22 de outubro de 2016

A poesia da vida


UM ÓTIMO SÁBADO para todos. A vida, o que é a vida? Qual seu sentido? Qual sua explicação? E a poesia da vida, quem saberá jamais? 

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Se procurar bem, você acaba encontrando Não a explicação (duvidosa) da vida, Mas a poesia (inexplicável) da vida. 



Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

James Joyce: Inícios e Finais




TENHO CERTO fascínio pelos parágrafos iniciais e finais dos livros. Não sei bem explicar mas pode ser porque o primeiro parágrafo de um livro ou me ganha logo de cara ou me faz pensar "É, vou ter que ir adiante pra ver qual é....". 

Por isso o marcador temático "Inícios e Finais" traz exatamente isso: O primeiro e o último parágrafo do livro em questão. Começo a temática com o livro de James Joyce "Retrado do artista quando jovem" que conta-nos a trajetória de Stephen Dedalus, alter ego de James Joyce. Mas o livro é muito mais que um depoimento pessoal. Ele é o relato de uma busca. A história de um homem tentando compreender a si mesmo e aos outros. Uma análise minuciosa da existência humana, com todos os seus dramas, alegrias, fraquezas e descobertas.

Ei-los:

Início: "Certa vez - e que linda vez que isso foi! - vinha uma vaquinha pela estrada abaixo, fazendo muu! E essa vaquinha, que vinha pela estrada abaixo fazendo muu! encontrou um amor de menino chamado Pequerrucho Fuça-Fuça..."

Final: "Abril, 27. Velho pai, velho artífice, mantém-me, agora, e sempre, em boa forma".

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Amigo macho!





AS MULHERES modernosas denunciam o "absurdo" que é a noção antiga da submissão feminina. Defenestraram o "machismo explícito da submissão", o jogo de poder e opressão que há nele. No entanto, essas mulheres modernosas nem percebem o quanto o oposto é que é verdadeiro: De como muitas vezes somos submissos a elas:

 - Amor, no domingo tem aquele encontro com o pessoal do trabalho, vai rolar um futebol e churrasco...
- Você esqueceu que há 3 meses está enrolando para consertar a pia do banheiro? 
- Mas amor....
- Não dá mais para aquela pia ficar como está, domingo ao invés de ir pra churrasco você deveria consertá-la!  

Cara de emburrada, poucos amigos, faca nos olhos. Você sabe, amigo macho, como é ficar com uma mulher assim em casa. Aí o que você faz? O que eu faço? Não vai jogar seu futebol para consertar a merda da pia do banheiro.

E outras coisitas como esta que acontecem toda hora, mas nós é que somos os opressores....


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Eduardo Medeiros, um submisso.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Apresentação




Olá!

Porque  resolvi compartilhar minhas leituras com todo mundo, fiz este blogue. Mais um. Espero que daqui a pouco eu não o exclua como já fiz com vários outros. Hábito meu de enjoar do que já fiz em blogues ou outros motivos, não sei, escondidos nos recônditos da minha psiqué e que ainda não veio à tona por anos de análise. E nem virá se depender de mim fazer análise...

Não sou nenhum especialista em literatura. Não sou crítico literário. Não gosto de críticas literárias. Odiava meus professores de português que nos mandava ler aqueles livros de José de Alencar ou Machado de Assis e depois tinha aquela deplorável "Ficha de Análise da Leitura". Aquilo para mim tirava toda graça e leveza do simples ato de ler uma boa história degustando a boa escrita do escritor. 

Então isto aqui é apenas para dizer: "Acabei de ler esse livro, o enredo é esse, a história é boa (ou ruim) de acordo com minha percepção e só. Nada de profundos mergulhos nas intenções ocultas ou nem mesmo sabidas do autor(mas descoberta pelo crítico literário!!!)  ao escrever o que escreveu. Compartilharei também trechos de livros que eu achar interessante, poesias, contos, biografias.

Ah, e também para falar de outros prazeres que não somente livros. Músicas, séries, filmes, política....ops, desculpem.

Até breve.