terça-feira, 29 de novembro de 2016

Maysa, a cantora da fossa





Maysa utilizaria o termo que seria usado para definir sua música em um breve futuro: "Até parece que estou na fossa" (escreveu em seu diário). 
O termo "fossa", gíria surgida nesse período (anos 50-60) para se referir às dores de amor, passaria para o vocabulário musical brasileiro como um gênero caracterizado por melodias dolentes e letras que falavam de corações partidos, fins de caso e almas dilaceradas. Os samba-canção de Antônio Maria - autor de "Ninguém me ama", quase um hino à dor-de-cotovelo - e da carioca Dolores Duran - que compôs junto com Edison Borges a "Canção da tristeza" -, com sua atmosfera noturna e passional, eram o exemplo mais bem-acabado do estilo.




Ambos exerceriam grande influência sobre a formação musical de Maysa, como demonstram as letras de Antônio Maria e Dolores Duran transcritas nos cadernos da moça. "Estar na fossa", mais que uma contingência de quem acabara de perder um grande amor, era um estado de espírito, quase uma postura existencial, que marcaria época e ditaria moda. 

(Extrato do livro biográfico "Maysa, só Numa Multidão" de Lira Neto)



Nora Ney canta "Ninguém me ama"


Dolores Duran "Canção da tristeza"

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