segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mamãe, uma leitora




Creio ter herdado o gosto pela leitura da minha mãe que era uma leitora voraz. Apesar de ter apenas o "primário", lia muito bem, escrevia muito bem e falava muito bem. O nível da educação pública brasileira já foi muito boa. Nos tempos do meu pai existia um negócio chamado "teste de admissão" que era feito por quem terminava o primário e queria entrar no hoje "fundamental"; nesse teste tinha até francês....hoje adolescentes terminam o Fundamental e até mesmo o Médio em muita escola pública sem saber ler direito e isso dá um nó no peito e me faz pensar onde o Brasil se perdeu. Até mesmo nos meus tempos de menino e pré-adolescente, e isso já vai uns 35 anos,  a escola pública era muito boa.
Mas sim, falava eu da minha mãe. Ela lia tudo que lhe chegava às mãos. Se fosse jornal lia de cabo a rabo, incluindo os classificados e as notas funerárias. Era apaixonada pela revista Seleções. Leu a Bíblia umas quatorze vezes. Lia até bula de remédio timtim por timtim, mesmo que não entendesse nada daqueles  metilfilazonilfilazanona e afins.
Minhas primeiras leituras 6, 7 anos, eram os gibis do Recruta Zero, Gasparzinho, Mickey, Brasinha. Meu pai chegava com pacotes de gibis embrulhados em plástico e era uma festa, um prazer sem fim.
Mamãe leu todos os livros que eu comprei e eu mesmo, não... Ela era enjoada. Lia mesmo se não entendesse direito o que estava lendo. Ler para ela era um exercício de resistência, uma necessidade viciosa, orgânica,  e não ter o que ler era crise de abstinência.  
Tinha um hábito que eu deveria ter seguido. Ela anotava em cadernos o título dos livros que ia lendo. Ainda guardamos cadernos e cadernos cheios de títulos, a maioria de livros evangélicos, mas também romances.  Seu preferido, creio, foi Os Catadores de Concha, de Rosamunde Pilcher, que eu também li na juventude e gostei muito.
Se os jovens não leem, em grande parte é culpa dos pais que enchem a casa com TVs em todos os quartos, tablets para cada membro da família, TV a cabo com 200 canais mas... nenhum livro! 
Uma casa sem livros é a coisa mais triste que pode existir. Ainda conservo comigo uns mil volumes que estão mais ou menos arrumados num quartinho que fiz de biblioteca. Tenho até doado e vendido muitos dos meus livros em benefício de mais espaço e menos bagunça, ainda que bagunça de livros seja uma bagunça diferenciada. 
Mas não basta ter livros em casa, é preciso incentivar as crianças a lerem, fazê-las se acostumar com o livro, comprar livros para ela, ler para elas. Isso construirá os leitores do futuro.
Não sou daqueles que acham que o objeto livro seja sagrado
Atualmente só compro praticamente, livros digitais, mas esse é um assunto para uma outra prosa. 
Mas dizia que minha mãe anotava todo livro que ia lendo. Deveria ter feito o mesmo. Tem muito livro que li na juventude que não lembro que li. Bem, se eu ver o livro a lembrança de ter lido vêm mas se eu for tentar fazer uma lista dos livros que li na adolescência, muita, mais muita coisa ia ficar de fora por falta de lembrança. Por isso desde 2014 comecei a listar os livros que leio durante o ano. Sei, sei, comecei bem tarde...
Não entra na lista revistas, gibis, posts do Facebook, bulas de remédios e classificados de jornal. Em outro texto vou compartilhar os livros dessa lista. 

Inté.
Postar um comentário